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ARTIGO | JULLIENE SALVIANO | Série – História do Brasil (8) — Conexão Política

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Recomenda-se ler o artigo 7 antes deste (https://conexaopolitica.com.br/artigo/colunistas/serie-historia-do-brasil-o-resgate-do-mito-fundador-da-nacao-7-sexta-feira-13-e-as-navegacoes/)

Em 1416, passaram-se cem anos desde a condenação dos Templários, quando assumiu o cargo de grão-mestre da Ordem de Cristo, D. Henrique de Sagres, que se lançou à diplomacia. Estava ele preocupado com a pressão muçulmana sobre a Europa, que crescera muito no século XIV. Com isso, em 1418, o Infante consegue do papa o aval para o projeto expansionista. 

Foi na batalha de Ceuta, no Marrocos, que D. Henrique sagrou-se cavaleiro, em 1415, quando os portugueses expulsaram os muçulmanos da cidade. No ano seguinte, o príncipe assumiu o comando da Ordem. A sucessão do trono português caberia ao irmão mais velho, D. Duarte, e Henrique assumiu o cargo de governador do Algarve. Era o terceiro filho sobrevivente do Rei Dom João I de Portugal e de Filipa, filha de John of Gaunt, Duque de Lancaster.

Solteiro e casto, ele dividiria o seu tempo entre a sede da Ordem no Castelo de Tomar, e a Vila de Lagos, no Algarve. Em Tomar, cuidava das finanças, da diplomacia e dos iniciados nos segredos da Ordem. Tomar de sede da Ordem do Templo passara a sede da Ordem de Cristo, o que, no fundo, demonstrou que a mudança só ocorrera no nome. Henrique de Sagres herdou todos os conhecimentos, informações e segredos que detinham os templários de outrora.

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Castelo de Tomar — Imagem: Reprodução

De seu castelo, o Infante mapeou o mundo. Jamais comandou um navio e nunca pisou num convés mais de três vezes, nem mesmo aventurou-se mais do que 100 milhas náuticas da costa. Mas mesmo assim, foi ele o navegador de Portugal, que fez mais pela exploração do mundo do que qualquer outro. A maioria das grandes viagens oceânicas de exploração foi inspirada na genialidade desse homem, cuja paixão pelo sol, vento e estrelas revolucionou a navegação e desenvolveu um sistema que continua sendo usado até os dias de atuais. Curioso, ele sempre quis saber o que existia além do mundo conhecido. Ele não acreditava naquilo que muitos marinheiros e leigos supersticiosos supunham, de que a Terra fosse plana, por exemplo. Pensava ele como os gregos antigos, cujos escritos eram ainda acessíveis a alguns iniciados, que o planeta era uma esfera. Henrique suspeitava que a lenda dos fenícios, de terem sido mandados pelo faraó do Egito para navegar pelo Mar Vermelho em volta da África e retornar ao Egito pelo Mediterrâneo, fosse verdade.   Sua mente pragmática de cientista acreditava que os contos sobre monstros terríveis eram falsos e tinham sido espalhados pelos árabes para desencorajar expedições. Com os conhecimentos obtidos enviou homens ao mar para explorarem metade do mundo. África, Índia, China e Brasil foram os locais visitados por suas equipes. Em seu castelo em Sagres, ele fundou uma escola de navegação. O lugar virou ponto de encontro de cientistas, matemáticos, cartógrafos, estudiosos e aventureiros de todo o mundo. Mas, no início, somente portugueses estudavam e planejavam suas viagens. Primeiro aperfeiçoaram o compasso, depois projetaram uma caravela de três mastros que resistiria a viagens mais longas em mar aberto. Um verdadeiro empreendimento científico e revolucionário. O castelo era um cofre de recursos e informações secretas, já Lagos era a base naval e uma corte aberta. Vinham viajantes de todo o mundo, navegadores venezianos, caravaneiros do Saara, mercadores do Timbuctu (Mali), monges de Jerusalém, alemães e dinamarqueses, cartógrafos italianos e astrônomos judeus. Os visitantes sempre traziam presentes. Assim, o navegador de Portugal juntou uma biblioteca preciosa. Não por acaso a primeira edição impressa das viagens de Marco Polo foi feita não em latim ou em italiano, mas em português, em 1534. Entre os mapas, plantas e tabelas havia também um exemplar manuscrito de tal obra.

Foram enviados navios ao longo da costa africana por pequenas distâncias. Cada navio seguinte atravessava um pouco mais longe deixando marcadores de pedra para provar o ponto alcançado. Os capitães traziam notícias de ventos, mares, correntes, tempestades, novos rios, enseadas, baías, animais, nativos e informações sobre a cultura desses. Quando o Infante lançou as primeiras caravelas ao mar o país estava realmente empobrecido. Quem pagou as despesas inicias dos Descobrimentos foi a Ordem de Cristo.

Dom Henrique estava ávido para conhecer os oceanos ocidentais para além da terras do Saara. Quando em 1415 enviou João Tristão para mapear novas áreas do oceano, alcançou as Ilhas Canárias que já tinham sido descobertas mas não povoadas. Em 1418 João Gonçalves Zarco alcançou as Ilhas Madeiras (descobertas em 1300, mas não povoadas). Foi o Infante quem começou o povoamento do arquipélago que serviria como ponto de parada de suas expedições. Em 1434 chegou o primeiro carregamento de escravos e ouro vindo das Guinés, junto com um gigantesco ovo de avestruz que os impressionou.

Vale ressaltar que os portugueses não percorreram África adentro para capturar os negros escravizados. Estes eram capturados e vendidos aos portugueses pelos próprios africanos de tribos rivais. A escravidão esteve presente no continente africano muito antes do início do comércio de escravos com europeus na costa atlântica. Ao menos desde 700 d.C., prisioneiros capturados nas guerras santas que expandiram o Islã pelo norte da África eram vendidos e usados como escravos. Durante os três impérios medievais do norte da África (séculos X a XV), o comércio de escravos foi largamente praticado.

Continuando… Seguindo boatos enviou Gonçalo Velho Cabral para encontrar certas ilhas no meio do atlânticos. Este Cabral descobriu os Açores. Esta ilha não continha animais, mas D. Henrique as abasteceu com todo tipo de criação e aves.

Até 1446 Dom Henrique de Sagres já havia enviado mais de 50 navios a percorrer a costa africana, indo cada vez mais ao sul a cada viagem. Em 1450 começavam os atritos com a Espanha, sobre os direitos à costa africana, em 1455 o papa deu a área aos Portugueses. Após essa conquista as pessoas começaram a chamar o Infante de “o segundo Alexandre”.

Após o falecimento de Dom Henrique de Sagres, nenhum rei ou membro da corte teve tanto interesse na exploração, mas cada monarca financiou algumas navegações. Sob a regência de Dom João II foi alcançado o delta do Rio Congo. Em 1488 ocorreu o maior sucesso de todos quando Bartolomeu Dias deu a volta no Cabo da Boa Esperança e chegou à costa leste da África. A rota marítima para a Índia estava finalmente aberta!

Em 1497, foi a vez de Vasco da Gama, que chegou a Calicut e retornara com os navios carregados de especiarias e mercadorias orientais. Em 1500, Cabral chega ao Brasil – mas sobre isso falaremos no artigo 10. Em 1501, um dos navios de Cabral descobre Madagascar, seguindo-se de outras descobertas na região. Neste mesmo ano postos de troca foram estabelecidos por Cabral em Calicut e Cochin. Em 1505, o vice-rei já havia sido apontado e Portugal obtém supremacia sobre as rotas marítimas de comércio pela costa oeste quando as forças marítimas muçulmanas foram derrotadas em Diu (1509). As gigantescas cruzes vermelhas dos navios portugueses logo se tornaram uma visão familiar na região entre África e Índia.

Não existia fim para a reação em cadeia iniciada por Dom Henrique de Sagres, conquistas na Índia e no Oriente se seguiam. Em 1510, Afonso d`Albulquerque tomou Goa, e Malaca em 1511. Uma cadeia de fortes postos de troca asseguravam a costa leste da África e as costas da Índia e do Ceilão. Ainda mais ao leste, governantes nativos fizeram tratados com Portugal e permitiram a formação de colônias desde Bengala até a China, tendo como resultado disso o monopólio português no comércio de especiarias. Aos poucos o pequeno Reino de Portugal ia se tornando um gigante dos mares. Até mesmo Colombo fora diretamente influenciado pela Infantes Henrique de Sagres, o que veremos no próximo artigo. Pode-se comparar o período das navegações com a corrida especial. O povo português é sem dúvida um dos mais corajosos e aventureiros, por se lançarem ao mar e buscarem avidamente por novas Terras. Mas não faziam isso apenas por ambição, o que realmente movia esses homens a se lançarem ao tão perigoso mar em frágeis caravelas era a expectativa messiânica da instauração do Império do Espírito Santo, voltado para o Ocidente, haviam que buscar no Oriente, num retorno à casa do Pai. Esse retorno é representado nos Evangelhos pela parábola do Filho Pródigo, ou como disse Colombo, em sua carta, a busca pelo segundo céu e segunda terra. Até a metade do século XV, os cavaleiros da Ordem saíram na frente, sem esperar pelo Estado português. Uma vez iniciada a colonização, eventualmente doavam à família real o domínio material dos territórios, mantendo o controle espiritual. 

“Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram? Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar! Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Quem quer passar além do bojador em que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.” – Fernando Pessoa

Espírito Santo Na cerimônia de recepção aos novos Templários recitava-se a oração ao Espírito Santo, os familiares e confrades do Templo costumavam organizar banquetes fraternais. As festas populares em honra do Espírito Santo celebram-se até hoje em Portugal, em locais onde estiveram presentes os Templários. No culto do Espírito Santo manifesta-se a ideia da mencionada anteriormente, grande fraternidade branca – cada homem é uma alma imortal. O Espírito é a Anima Mundi, a Alma do Mundo. A Nova Era, a Era do Espírito Santo sucede à do Pai (antigo testamento) e à do filho (Novo Testamento). Uma era em que o homem estará unido por laços fraternais sem distinções de sexo, raça ou credo. Os portugueses acreditaram nisto durante séculos, e a Era do Espírito Santo corresponde, no fundo, ao mito do quinto império que seria o Império do Espírito Santo na Terra. O Império do Espírito Santo aponta para a supremacia do ser sobre o ter, do interesse coletivo em detrimento dos interesses individuais, do desapego, da partilha em lugar do egoísmo e acumulação, da supremacia da pureza da criança. Um mundo sem guerras, sem injustiças e sem sofrimento. Um lugar de verdadeira fraternidade entre os homens, respeito e amor por toda a criação e da adoração a Deus em espírito e verdade, que é o fundamento desse culto. Como no ensinamento de S. Francisco de Assis, deve-se procurar a purificação da personalidade através da energia transformadora do Espírito Santo, voltando cada um a ser como criança, de forma que no coração de cada um prevaleça o amor. Em algumas destas festas (em Portugal e no Brasil) costuma-se distribuir pão bento, à semelhança do antigo Egito, onde faraó costumava distribuir para cada egípcio um pão consagrado. Talvez herança da troca cultural com o Oriente. Existem fortes motivos que demonstram que este culto tem origens iniciáticas e esotéricas. Por um lado, é a coroação de uma criança Imperador, simbolizando o iniciado que deixa sua velha forma de vida e renasce como uma criança, para vida do espírito. Por outro lado, é a libertação de um preso, numa alusão clara ao tema da alma prisioneira – o homem interno vive preso na sua personalidade terrestre tendo dificuldade em libertar-se para sua realização espiritual. Assim, a libertação do prisioneiro simboliza a superação do homem interior face aos seus bloqueios exteriores. O culto do Espírito Santo tem origem nas ideias difundidas na idade média pelo abade Joaquim de Fiora que, com os franciscanos e o pelo pensamento difundido por Dante, estes foram os grandes responsáveis pela sua rápida expansão por toda Europa, principalmente em Portugal.  As festas do Espírito Santo, levadas pelos portugueses para todo o mundo, ainda persistem em alguns locais, embora poluídas por elementos profanos. No Brasil pode-se encontrar essa festa em alguns estados como Goiás, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Paraná (tradição que aos poucos vai se perdendo). O culto do Espírito Santo se tornou em Portugal um projeto coletivo incorporado na “Mística dos Descobrimentos”. Esperar a instauração do reino do Espírito Santo sem nada fazer para a transformação de si próprio, para estar em condições de receber o batismo pelo fogo, era incorrer em inércia espiritual com consequências nefastas. Era esse espírito de missão que vivia no âmago dos navegadores portugueses que desbravam os mares, procurando ser merecedor da missão pela transformação interior e procurando incutir nos outros essa mesma vontade de transformação. Procurando ardentemente esse Império que seria no Futuro o Império do Espírito Santo, pela expansão marítima. “Sabeis novas da minha amada? Partimos com Cristo rumo ao Pai, os olhos fitos a Ocidente, onde o Sol morre e as trevas não dominam porque a ‘Ilha dos Amores’ vela pela Lusitânia” – Camões  

Eis a resposta para a pergunta que muitos brasileiros já se fizeram: por quê o português?

Primeiro porque Portugal fora um país forjado no seio templário, e sua mística e coragem se infundiram neste povo de tal forma que se confundiram práticas da Ordem com a cultura portuguesa. Fora este também o país que acolheu os cavalheiros quando estes foram perseguidos, sendo assim, herdaram todo o seu conhecimento e todo o investimento da Ordem voltou-se para este pequeno país costeiro. Quem já leu a Obra do médium Chico Xavier, “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, pode compreender melhor a passagem quando ele relata uma reunião em que o Cristo deliberou a transposição da árvore do seu evangelho para o Brasil. Tal passagem está em total afinidade com o espírito português.   

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. Deus quis que a terra fosse toda uma, Que o mar unisse, já não separasse. Sagrou-te, e foste desvendando a espuma, E a orla branca foi de ilha em continente, Clareou, correndo, até ao fim do mundo, E viu-se a terra inteira, de repente, Surgir, redonda, do azul profundo. Quem te sagrou criou-te português. Do mar e nós em ti nos deu sinal. Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal!”  – O Infante – Fernando Pessoa

Uma névoa encobriu os descobrimentos desde o início, no reinado de João II, o grande continuador da obra de Henrique de Sagres, as coisas tornaram-se ainda mais densas. As razões para esse ocultamento devem-se certamente ao interesse de outras nações na explorações empreendidas pelos portugueses, graças às riquezas obtidas por esses, também à rivalidade com a Espanha, notadamente com Castela reinada por Isabel. Além disso, havia o advento da inquisição que estava ganhando mais espaço em Portugal, buscando por desvios da doutrina oficial (algo que certamente existia ao menos dentro dos muros das Ordens). Mas já podemos retirar o véu de dissipar essa nuvem que ainda paira nas origens do Brasil. É isso que estamos fazendo nesta série.

Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.

– Fernando Pessoa

Bibliografia

“História Misteriosa de Portugal” de Victor Mendanha, Edições Pergaminho, Lisboa. “Os Templários na Formação de Portugal” de Paulo Alexandre Loução, Edições Ésquilo, Lisboa. Revista “O Rosacruz” 3 trimestre – 2000 Revista “O Rosacruz” – 1 trimestre – 2000 “História Secreta de Portugal”de Antonio Telmo, Editora Vega, Lisboa. Sagres – A Revolução Estratégica – Senac Solomon, Pharaoh of Egypt – Ralph Ellis Tempest and Exodus – Ralph Ellis

Fonte: conexaopolitica.com.br/artigo/serie-historia-do-brasil-o-resgate-do-mito-fundador-da-nacao-8-sagres-o-mundo-em-suas-maos/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=serie-historia-do-brasil-o-resgate-do-mito-fundador-da-nacao-8-sagres-o-mundo-em-suas-maos

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